O céu estrelado era a platéia de seus atos. Ela caminhava lentamente pelas calçadas. A bota preta fazendo um estrondo a cada passo na madrugada silenciosa. Seus cabelos loiros brilhavam alegremente, eram de um cacheado sutil e comprido até a cintura. O sobretudo preto voava logo atrás. Usava um vestido curto e decotado, realçando suas belas curvas. No rosto, os olhos azuis faiscavam e os lábios tão pálidos quando o resto gritava por sangue.
Cassandra, La sorcière estava em dia de caça. Caminhou até uma casa pequena no fim da rua. A casa era de tijolos fortes, tinha um quintal cheio de flores murchas, na verdade aquilo mal podia ser chamado de jardim. Cassandra parou diante da casa. Olhando fixo para uma janela aberta no segundo andar. As cortinas brancas dançavam com o vento.
Ela sorriu encantada. Pois os caninos brancos a mostra.
Ela abriu a portinhola de ferro enferrujado da frente da casa e adentro o "jardim". Esmagando ansiosa, todas as folhas mortas. Parou na frente da porta de entrada da casa e olhou para a parede ao lado. Lá em cima, a poucos metros de distância ela viu as cortinas. Em uma velocidade impressionante ela se agachou e saltou até a janela em movimentos graciosos. Pousou no parapeito da janela olhando atenta para todo o quarto. Nele não havia mais nada além de uma cama de solteiro, um grande armário, uma penteadeira e uma frágil menina dormindo a sono solto. Ao repousar seus olhos nela Cassandra deu outro sorriso vitorioso. Flutuou até a cama da menina, se ajoelhou ao lado e a observou.
Tinha cabelos loiros e ondulados. Olhos verdes. Lábios vermelhos e carnudos entreabertos. Seu corpo, coberto dos pés até o pescoço, subia e descia numa respiração calma.
Cassandra passou a mão no infantil rosto da menina. Não devia ter mais do que meros quatorze anos.
-Sangue jovem é sempre o mais apetitoso. -sussurrou ela com a voz cristalina e envolvente. Depois, contornou as bochechas da menina e tateou o pescoço da criança por debaixo dos lençóis. Finalmente o achou. Branco e macio. Quente e pulsante. Empurrou o coberto para baixo de seu pescoço e o cheirou. Criança cheia de vida e principalmente de sangue.
-Que terrível, que terrível. -falou balançando a cabeça.- Vou ter de tirar seu sangue pelo pulso menina. Desperdício. -debochou hipnotizada pela visão do pescocinho branco da garota. –Ou então tu preferes ser mordida no pescoço e morrer? Não, não, não! Mas que idéia a minha! O que tu achas de ser minha filha?
-Ela não tem idade nem de saber o que quer comer -sussurra uma voz suave e cínica da janela.
Recostada no parapeito da janela, cabelos morenos e mangas vermelhas voando com as cortinas, estava Morgana, La Mystère.
-Cassandra, Cassandra, andas tão previsível. Uma jovem menina descansando... Aonde vais parar? Roubando bebês do berço? – desdenha irônica. -Eu sei que não queres complicações com O Conselho. Vai além de simples crueldade condenar alguém que ainda nem viveu, de que irá te servir? Procure alguém ágil, madura, perversa. – Sorri contemplando a própria criação. -Deixe que ela cresça, viva, se descubra... – pega a pequena mão branca e cálida da menina. -Ou acabe logo com isso. – larga a mão da criança e se volta para a janela onde se encosta e respira o doce ar noturno, uma última olhada para o quarto e um ágil salto na escuridão.
Cassandra olha a amiga partir.
-Maldita, cínica, ordinária! Quanta ousadia!- pega o pulso da pobre menina que nada percebe ao seu redor e dá uma dentada forte. A garotinha, nada faz além de dar um gemido simplório. Ao terminar o lanchinho e lamber a ferida ela volta a praguejar.
-Se ela pensa que pode se intrometer dessa maneira em MINHA caçada só porque somos amigas pode ter certeza de que ela está enganada! - pulou da janela e continuou a falar. -Ora essa! Previsível! Até parece!
Cassandra foi se encaminhando para fora dos belos jardins da casa e andou a passos rápidos até seu automóvel, estacionado logo na esquina da rua. Pegou as chaves de dentro do decote e abriu o carro.
-Porcaria tecnológica poluidora de ar! Malditos mortais! Criando coisas somente para seu bem estar e esquecendo dos outros! Malditos mortais tão necessários! -quase berrou de frustração.
-Ah, não são tão ruins assim...- Morgana estava deitada sobre o capô do carro a observando - E então? Cadê sua miniatura? - pergunta cínica. -Achei mesmo que fosse pegá-la pra não resistir a um mês nessa "vida"...Por prazer em desrespeitar o conselho, entende? Como sempre previsível Cassandra.
-E ainda estou com fome...-reclama para si, ignorando Morgana.
-É natural, era um bebê! Esperava que ela tivesse a vitalidade de um jovem rapaz de 18 anos em média, ruivo, atraente e sozinho, querendo companhia? Delícia de jantar...- passa a língua pelos lábios mais vermelhos após a refeição.
-Pelo Amor do Tal Deus! Engula essa sua safadeza! E faça o favor de sair do maldito capô! -gritou, finalmente notando Morgana deitada toda serelepe.
-Calminha senhora Inocente, estou descendo. –Morgana disse deslizando lentamente pelo capô - Insaciável o tal rapaz... - os olhos brilham quando pensa nele - Não pude matá-lo, e ainda me pediu pra voltar amanhã. - comenta, rindo da inocência do garoto. - Eu sempre digo que venha caçar comigo, mas você prefere invadir creches! - desdenha enquanto encosta-se ao muro baixo.
Cassandra revira os olhos. Enjoado dos velhos sermões que uma velha vampira sempre teimava em lhe dar.
-Não entendes que quero ser chata e mandona como você? Quero uma filha. Quero ensiná-la! A culpa não é minha se você o fez contra a vontade. -disse controlando ao máximo as palavras que usava.
-Minha doce Cassandra...- Se aproxima dela e desliza a mão sobre seu rosto - Você tem tanto a aprender quanto a ensinar, esse instinto de ser criadora é um sinal de maturidade trazido pela solidão...- aperta-lhe a bochecha com força -Pelo menos sabes que foste um erro! - vira-se - Devia ter te deixado morrer queimada no colo de sua mãe! "A mãe e a filha juntas até a morte" A ser retratado por Goya*.Patéticas! Mas hoje diria que é visível o por que de ela ter me implorado para amparar seu pequeno frasco de veneno. Eu sei como ninguém como é passar a morte eterna ao seu lado e não desejaria a ninguém.
Solta um muxoxo, cansada. Pensou em revidar, mas desistiu. Vencida pelas palavras duras de Morgana.
-Que seja então. Voltarei para o Hotel...Quero dizer, para o cabaré –fala “cabaré” como se estivesse arrancando um molusco do peito -Boa sorte na sua volta. Tente pelo menos chegar inteira, por mais incrível que pareça ainda preciso de você. - resmunga.
-Voltarei inteira, não precisa se preocupar. - se delicia ao dizer a última palavra. - Sei o quanto precisa de mim. - pisca para ela e some pelo final da rua.
~*~
A noite caía fria e úmida pelos becos da cidade, e em um dos mais desertos ninguém ouvia uma mulher falar.
- Não é culpa minha! O que queres que eu faça? Não posso fazer nada! Avise sua honorável rainha de que ela não é mais minha responsabilidade há dois séculos! Se vocês não podem se resolver entre si à culpa não é minha, Cassandra já é maior de idade e não sou eu quem paga se ela adaptar alguém sem o consentimento de vosso glorioso conselho – fala, sarcástica e impaciente. - E pare de me seguir! – Se vira para encarar de perto olhos imperiosos azuis, gélidos e irritados de um ser que a seguia desde a casa da menina, era alto, pálido, cabelos negros até um pouco após os ombros largos e mãos frias no braço de Morgana, que respira rapidamente, até fazer uma pausa e falar, mais calma retirando a mão do rapaz de seu braço. - Cassandra já é adulta, responde por seus atos. Caso tu não tenhas percebido, eu não a influencio. – Morgana finaliza e esvaece no breu da madrugada parisiense, deixando Uyen rindo sozinho enquanto caminha para a direção oposta. Os longos cabelos negros voando ao ritmo da capa.
~*~
Cassandra olha Morgana partir e balança a cabeça desanimada. Mais de dois séculos de convivência e as duas ainda não se davam tão bem. Ela entra num Ford antigo e liga-o. Pragueja por estar fazendo aquilo, mas pisa no volante e segue em frente.
Já eram duas da manhã e pequenos flocos de neve começaram a cair do céu. Cassandra estacionou o carro perto de uma praça. Saiu dele e sentou num banco de madeira rústico ao lado de um poste. Olhou para o céu. Nenhuma estrela. Fechou os olhos e sentiu os flocos caírem em seu rosto. Ela adorava Paris, já havia morado e várias outras cidades com Morgana, mas Paris era única. Nunca perdera seu encanto. Nascera em Paris e pretendia passar o resto de sua tediosa vida lá.
Sentiu uma mão tocar em seu ombro. Virou instintivamente.
-Acalme-se, milady. –disse o homem.
Cassandra nada disse, apenas deixou o homem sentar ao seu lado. Era bonito. Ajeitou os cabelos castanhos escuros que caiam sobre sua testa.
-Posso sentar com a senhorita?-ele perguntou com um sorriso agradável, mostrando os dentes brancos.
-Fique a vontade, mas há outros bancos no qual o senhor pode sentar-se mais à vontade. –falou Cassandra sem retribuir o sorriso.
-Desculpe se a atrapalho, porém é sempre bom sentar ao lado de uma bela dama.
Cassandra olhou fixamente para ele. Os olhos pretos do homem eram incrivelmente penetrantes. Ela retribuiu o olhar, finalmente lançando-lhe um sorriso doce.
-Já que me encheste de elogios, podes sentar ao meu lado. – disse ela.
-És muito gentil, milady. –tomou a mão de Cassandra e deu-lhe um beijo.
-Como me encontraste aqui, Samuel? –perguntou la Sorcière, abrindo um belo sorriso.
-Como já disse a maravilhosa Senhorita Morgana, és extremamente previsível. –falou Diego, lo Farsante.
Cassandra tira sua mão da dele.
-O que queres?
Ele aconchega-se mais perto dela, passando seu braço entorno dos ombros de Cassandra.
-Só queria apreciar a visão de seu belo corpo, la Sorciére. –diz olhando para ela e brincando com seus cabelos.
-O que queres?! –ela vira olhando enfurecida para ele.
Ele sorri deliciando-se com aquilo.
-Tu ficas tão linda enraivecida.
-E tu ficas terrível de qualquer maneira!
Ele sorri calmamente.
-Seus olhos ainda não aprenderam a mentir, chérri.
Cassandra levanta-se do banco e caminha a passos largos até seu carro.
-Tenho um recado de Ísis!
Isso a fez parar instantaneamente.
~*~
Caminhando por ruas escuras, com as mãos nos bolsos do casaco, os cabelos soltos ficando cheios de neve, Morgana chega a um cabaré, entra, sorri e nega para três ou quatro jovens que a pediam um tango ou ofereciam vinho. Sobe as escadas para o segundo andar das estalagens.
Ao abrir a porta, depara-se com um quarto escuro, duas largas camas de lençóis brancos e vermelhos em cetim, uma janela fechada coberta por espessas cortinas negras, um armário pequeno em madeira escura, ao lado de um comprido espelho encaixado noutra porta.
A vampira senta-se sobre uma cama, os braços envolvendo os joelhos, recosta a cabeça sobre os mesmos e lembra-se de quando aguardava sentada sobre uma escada em espiral feita de pedra escura e desgasta.
Ela tamborilava os dedos nos degraus, impaciente, com a outra mão apoiando o rosto. Estava tão escuro, que apenas as faíscas esverdeadas de seus olhos eram visíveis da entrada do beco onde acertara encontrar Uyen.
- Boa noite, Cassandra. – O homem atrás de Morgana sussurra, com ligeira ênfase no final.
- E o senhor, sempre me assustando.
- Como te assustei? Nem mesmo tentei sufocar-te ou atirei-te na parede como das últimas vezes! – Ele beijava-lhe a nuca lentamente, procurando a boca.
- O que é uma pena. - Ela vira-se para ele, beijando-o pelo pescoço, queixo... - Adoraria medir sua imortalidade... Sem desistência dessa vez. – Ao mesmo tempo em que deslizava os dedos por debaixo do suéter até friccionar a cicatriz que seguia da cintura ao pescoço, arrancando do rapaz uma expressão de dor específica dos olhos azuis ofuscantes, mas que logo é substituída pelo sorriso sarcástico de costume.
- Sempre tão agressiva e ingrata, ficas ainda mais sexy me abrindo o peito, Contei-te?
- Não. Pra falar a verdade, Ainda não... – Morgana senta-se sobre ele atravessando uma perna pelas dele e o beija, enfim, deixando que as mãos do rapaz passeiem por seu corpo. – Mas tenho minhas dúvidas de que a rainha Ísis o mandaria aqui apenas para avisar-me. – A jovem replica, pondo-se de pé e afastando-se do rapaz.
- De fato... – O homem revira os olhos e levanta-se também...
-O que tu fazes aí, sentada olhando pro teto? Que coisa mais inútil... - fala Cassandra que agora entrava no quarto e tirava o sobretudo cheio de neve. –Nevou, sabias? Pelo visto sim. – Ela tira pequenos flocos de neve dos cabelos negros de Morgana.
Cassandra sentasse na frente da amiga, a mesma ainda olhando para o vazio com uma expressão que estava entre confusa e preocupada.
-Morgana... -ela balança a mão branca na face da outra.
-Hã? -Morgana espanta-se com a mão frente ao rosto e vira-se para a amiga. - Ah, é você? - fala com desdém - e então? Mais caçadas? - a vampira levanta-se e caminha pelo quarto com passos apressados, e uma falsa naturalidade.
-Como consegues correr a passos largos num quarto tão pequeno? -pergunta, olhando Morgana andar em círculos. -Acabei não caçando, encontrei Samuel.
Ah, mesmo? e como ele está? - a jovem sorri, esquecendo-se das desavenças entre os dois. - Ah, sim. Você vira uma criança de dois anos perto dele, havia me esquecido.
-Ele é... É... Não viro uma criança de dois anos perto dele! - Puxa seu caixão fazendo um estrondo tremendo.
-Não, claro que não. - Morgana escolhe, por fim, um lugar em frente à La Sorciére, encarando-a.
Cassandra olha pros lados, constrangida.
-Ele estava muito bonito hoje...
-Ele é sempre muito atraente; Chérri. - Morgana ri.
-Mas isso não vem ao caso! - ela pigarreia - O que importa é que o bendito trouxe um recado de Ísis.
-Deve ser a sensualidade latina... Numa escultura grega, convenhamos. - Morgana se detrai por um momento e volta à amiga. - O que ela quer com você? Cassandra, você não fez nada de errado, fez?
-Não fale assim dele, ele é um homem grotescamente... Bonito e forte...
-Aham.. E o que mais? - Morgana ainda a encarava risonha.
-A lua combina com ele, sabe? Sinceramente não sei como ele consegue permanecer moreno depois de tantos anos... – La Sorciére fala com os olhos cintilando.
-E isso tudo porque você o odeia, não? - deita-se na cama, puxando o caixão que estava debaixo da mesma.
- Claro que o odeio!! Aquele tratante!! Não podemos confiar em seus recados, principalmente num que é aparentemente positivo... - diz vagarosamente.
- Diga-me logo o que ele veio tratar de tão importante que não pudesse ser desculpa para me ver. - ela agora abrira o caixão e tirava o sobretudo sujo com a neve.
- Oh, sim é claro. Queria fazer um suspense, já que é uma boa notícia. - Cassandra senta em cima de seu caixão preto com as pernas cruzadas e um sorriso vitorioso no rosto. - É bem possível que você não acredite.
- Diego dando-te uma boa notícia? É, de fato, quase impossível. - Morgana falava enquanto olhava-se num espelho, penteando os cabelos negros e livrando os da neve parisiense e de um pouco do cheiro de Uyen. - Vamos, Cassandra! Conte-me logo! - Já se vira curiosa.
Cassandra põe seu dedo indicador, digno de uma excelente pianista, nos lábios pálidos e olha pra o teto, pensativa.
-E se não fosse verdade, o que eu poderia fazer para puni-lo?
-Pensamos nisso depois... - a jovem senta-se ao lado de Cassandra sobre o caixão. - Agora me fale.
La Sorciére olha para Morgana e sorri radiante.
- Diego disse-me que Ísis me permitiu ter uma cria, mas apenas com sua autorização. Você terá de ajudar-me a cuidar dela e a ensinar tudo o que sabemos. - ela se afasta um pouco, assustada com as fagulhas de ódio que pulam dos olhos de Morgana. - Foi o que Diego disse; Morgana! Não estou inventando!
- Mas você já é adulta. - Morgana solta entre dentes, após um minuto ou dois de puro e pesado silêncio.
- Infelizmente, ao ver de Ísis ainda sou uma leiga... - ela revira os olhos, insatisfeita com tudo aquilo, gostaria realmente de receber o respeito que merece.
- Se é assim, que só tenha uma cria quando for madura! - Morgana levanta-se e anda pelo quarto ainda mais rapidamente - Por que EU tenho de adotar mais uma? Você já dá trabalho sem ajuda de outra rebelde na família. - a olha com desdém que se converte em um sorriso. - Me convença.
Cassandra balbuciou algo inaudível.
- Mas tentar convencê-la é o mesmo que negar ter uma cria! - Ela olha para os cômodos do quarto procurando algum apoio, aparentemente nem o armário e, muito menos a cama, estão prestando atenção à conversa.
- Só não diga que não lhe dei uma chance. - Morgana pisca e deita no caixão, as mãos unidas sobre o peito, o sorriso cínico nos lábios.
Cassandra fica estática. Com pensamentos oscilando entre o quanto Diego estava atraente nesta madrugada e como iria convencer Morgana. Levantou-se, achando que se movimentando um pouco seu cérebro poderia pensar algo descente. Não deu muito certo. Tirou o sobretudo preto e pegou no armário, que havia lhe dado as costas num momento tão preciso, um vestido de seda vermelho, curto e com detalhes rendados.
O vestiu apressadamente e pegou a escova de Morgana pra pentear os cabelos.
- Já estas dormindo?
- Não consigo.
- Encontraste Uyen por acaso? - perguntou Cassandra. Ela nunca vira Uyen, mas sabia como Morgana ficava abalada com suas visitas.
- Queres sair ainda? Vamos caçar, esperar os primeiros alertas vermelhos no céu para vir deitar... - ela se apóia na beira do caixão, sem perceber a amiga já se arrumando.
Cassandra sorri - O que estas esperando?Vamos morder rapazes ruivos e charmosos, ou não?
A lua ainda brilhava soberana, e o clima ia tão aconchegante que Morgana preferiu caminhar a pé. O vento fazia voar o sobretudo, como se quisesse castiga-lo por manter as mãos delicadas e pálidas da vampira ao abrigo de qualquer rajada. Ao estalido metálico do salto sobre a pedra, o cabelo da mulher também parecia planar sutilmente [tal como as palavras escapuliam dos dedinhos serelepes da autora...]. Não negaria que estava nervosa, ou um tanto perturbada, muito menos que Uyen sempre a deixava assim, mas daquela vez, o assunto tratado também era incômodo, e era sobre ele que falaria a Cassandra, assim que parasse de morder os lábios com aquela veemência e normalizasse a própria respiração.
(Cassandra por Amanda Quaresma)
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